terça-feira, 31 de julho de 2012
DEUS, o Mestre em Xadrez
"No colégio, sentia orgulho da minha habilidade no jogo de xadrez. Filiei-me ao clube de xadrez e, na hora do almoço, sempre me encontrava sentado a uma mesa com outros nerds, estudando minuciosamente livros do tipo Classic king pawn openings [Aberturas clássicas com peões do rei]. Estudei técnicas, venci a maioria das partidas e deixei o jogo de lado aos vinte anos. Então, em Chicago, encontrei um jogador de xadrez que aperfeiçoava sua capacidade desde o tempo do colégio. Quando jogamos algumas partidas, vi o que era jogar contra um mestre.
Qualquer ataque clássico que eu tentava, ele contra-atacava com uma defesa clássica. Se arriscava técnicas menos ortodoxas, ele incorporava minhas ousadas incursões em suas estratégias vencedoras. Até mesmo os erros aparentes ele transformava em vantagens. Eu comia um peão desprotegido e, em seguida, descobria que ele o havia plantado ali como isca sacrificial e parte de um grande plano. Embora tivesse total liberdade de fazer qualquer movimento que desejasse, logo cheguei à conclusão de que minhas estratégias de nada valiam. Sua superioridade fazia com que meus propósitos inevitavelmente acabassem servindo aos dele.
Talvez Deus opere em noso universo, criação dele, de forma parecida. Ele nos garante liberdade para nos rebelarmos contra o Seu plano original, mas quando agimos assim, acabamos “ironicamente” servindo a Seu alvo final de restauração. Se aceito esse plano – um imenso passo de fé, confesso – , ele transforma minha perspectiva das coisas boas e más que acontecem. As coisas boas, como saúde, talento e dinheiro, posso apresentar a Deus como ofertas para Seu proveito. E as coisas más – incapacidade, pobreza, problemas familiares, fracassos – também podem ser “redimidas” como os próprios instrumentos que me levarão a Deus."
Philip Yancey, em O Deus (in)visível, Editora Vida, 2001, pág. 254-255
